segunda-feira, 11 de maio de 2009

matinta pereira

Waldemar Henrique

Matinta Pereira
chegou na clareira
e logo silvou.
no fundo do quarto,
Manduca Torquato,
de medo, gelou.

Matinta quer fumo,
quer fumo migado,
meloso, melado,
que dê muito sumo.
Torquato não pita,
não masca nem cheira.
Matinta Pereira vai tê-la bonita!...

– Matinta Pereira, de tardinha vem buscar
o tabaco que ontem à noite eu prometi.
queira Deus ela não venha me agoirar,
queira Deus ela não venha me agoirar, ah!
Matinta, preta velha, mãe maluca, pé-de-pato!
queira Deus ela não venha me agoirar...

matinta pereira
chegou na clareira
e logo silvou.
no fundo do quarto,
Manduca Torquato,
de medo, gelou.

que noite infernal!
soaram gemidos,
resmungos, grunhidos
do gênio do mal
e até de manhã,
bem perto da choça,
a fúnebre troça
dum vesgo acauã...
acauã...
acauã...

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