Céu na Boca
"Não há linguagem, nem há palavras,
e deles não se ouve nenhum som.
No entanto por toda a terra se faz ouvir a sua voz,
e as suas palavras até os confins do mundo."
(Salmo 19.2-4)
som, sonoridade,
vem na boléia da idéia,
som, variedade,
vem na veia e não bobeia,
pulsa imaginação,
se torna cheiro e coração;
falando, mesmo calado,
o não-dizer é seu recado.
som em toda parte,
a parte de um todo;
som é tanta arte,
a arte de um povo;
um cais sem barco
pronto a ser aportado,
flor perfumante
sem ter desabrochado.
som, a poesia
devorando a palavra escondida;
som, letra cantando,
melodia, nota vivida;
som, presente divino
trazido pelo vento;
sendo som,
construindo o som eterno
no tempo.
som, sonoridade,
som, variedade.
falando, mesmo calado,
o não-dizer é seu recado.
Este blog mudou...
AVISO: Este blog foi incorporado ao blog Farinha de Tapioca e será descontinuado. As publicações, entretanto, permanecem aqui como arquivo.
Atenciosamente.
O autor.
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segunda-feira, 9 de março de 2009
canção do guerreiro
Céu na Boca
(1)
solidão desespera,
medo qual avestruz,
limo que criou a pedra dura
de tanto a água bater.
solidão dilacera,
medo de se perder
e que, ao final do túnel,
não venha a tão sonhada luz.
vem, Senhor, me sustenta
em meio à solidão,
neste dia de angústia,
segura a minha mão.
(2)
uma dor, uma lágrima ferida,
dividida, escondida,
corre o rosto e se perde por desleixo,
corta o peito, dilacera.
ah, solidão!
quando vem, vem só.
ferida não sara
com o tempo...
tempo.
na lembrança, uma luz ficou perdida,
esquecida, consumida.
na distância, uma música sofrida,
repetida, sem guarida.
ah, solidão!
quando vem, vem só.
ferida não sara
com o tempo...
tempo.
bem ao longe, uma cruz imerecida,
tão sofrida, dor sentida,
com alguém que morreu pra dar a vida
pra que eu viva sem ferida,
sem ferida.
(1)
solidão desespera,
medo qual avestruz,
limo que criou a pedra dura
de tanto a água bater.
solidão dilacera,
medo de se perder
e que, ao final do túnel,
não venha a tão sonhada luz.
vem, Senhor, me sustenta
em meio à solidão,
neste dia de angústia,
segura a minha mão.
(2)
uma dor, uma lágrima ferida,
dividida, escondida,
corre o rosto e se perde por desleixo,
corta o peito, dilacera.
ah, solidão!
quando vem, vem só.
ferida não sara
com o tempo...
tempo.
na lembrança, uma luz ficou perdida,
esquecida, consumida.
na distância, uma música sofrida,
repetida, sem guarida.
ah, solidão!
quando vem, vem só.
ferida não sara
com o tempo...
tempo.
bem ao longe, uma cruz imerecida,
tão sofrida, dor sentida,
com alguém que morreu pra dar a vida
pra que eu viva sem ferida,
sem ferida.
sobre todos nós
Céu na Boca
a canção que eu não farei me invade o pensamento,
faz calar o infinito e ecoar no tempo.
quem nos ouvirá nas mágoas?
quem nos salvará das águas?
quem terá a chave que abre todo sentimento?
teus vestígios no país são marcas na minh'alma,
a poeira que há na ruas cobre a minha cama.
de quem repetir os passos?
de quem me aconchegar nos braços?
pois a mesma mão que fere, afaga num abraço.
não acreditar nas cores postas na retina,
contorcer-se ao enfrentar a multidão sem sina.
como ouvir a voz tão calma,
destroçando o peito e alma?
como impedir que a luz derreta essa cortina?
quem vela os passos e os sonhos dos seus?
quem chora as dores que encarceram a alma dos ateus?
descansa a vida nos braços de quem faz a luz brilhar,
restaura a ruína das almas,
enxuga dos olhos o amargo fel,
quem nos guarda na jornada,
quem conhece o fim da estrada,
quem antes de nós as nossas dores já sofreu.
a canção que eu não farei me invade o pensamento,
faz calar o infinito e ecoar no tempo.
quem nos ouvirá nas mágoas?
quem nos salvará das águas?
quem terá a chave que abre todo sentimento?
teus vestígios no país são marcas na minh'alma,
a poeira que há na ruas cobre a minha cama.
de quem repetir os passos?
de quem me aconchegar nos braços?
pois a mesma mão que fere, afaga num abraço.
não acreditar nas cores postas na retina,
contorcer-se ao enfrentar a multidão sem sina.
como ouvir a voz tão calma,
destroçando o peito e alma?
como impedir que a luz derreta essa cortina?
quem vela os passos e os sonhos dos seus?
quem chora as dores que encarceram a alma dos ateus?
descansa a vida nos braços de quem faz a luz brilhar,
restaura a ruína das almas,
enxuga dos olhos o amargo fel,
quem nos guarda na jornada,
quem conhece o fim da estrada,
quem antes de nós as nossas dores já sofreu.
Deus é Pai
Céu na Boca
acordar, não esquecer
que Deus é Pastor
e nada vai faltar.
onde está tua fé?
move junto com a maré!
pisa nas águas com firmeza,
Deus é força mesmo na fraqueza.
bem mais do que bens ou dinheiro,
a nossa vida é dele por inteiro.
Deus é Pai, é crer e ver!
nos dá pão, e não pedra pra comer.
nada, nada vai faltar,
Deus é Pai!
acordar, não esquecer
que Deus é Pastor
e nada vai faltar.
acordar, não esquecer
que Deus é Pastor
e nada vai faltar.
onde está tua fé?
move junto com a maré!
pisa nas águas com firmeza,
Deus é força mesmo na fraqueza.
bem mais do que bens ou dinheiro,
a nossa vida é dele por inteiro.
Deus é Pai, é crer e ver!
nos dá pão, e não pedra pra comer.
nada, nada vai faltar,
Deus é Pai!
acordar, não esquecer
que Deus é Pastor
e nada vai faltar.
antes que seque a flor
Céu na Boca
trabalhar antes de entardecer,
caminhar antes de anoitecer
e viver antes de o sol se por,
antes que seque a flor da vida.
recriar tudo que se perdeu,
renovar tudo que envelheceu,
restaurar o cheiro do amor,
antes que seque a flor da vida.
esperar do suor do seu rosto o pão,
vinho à mesa, alegria e comunhão!
mas sabendo que tudo vem do Senhor,
antes que seque a flor da vida...
levar fé: não se viveu em vão,
quando vier tempo de solidão;
que a semente vai sempre dar em flor,
antes que seque a flor da vida!
trabalhar antes de entardecer,
caminhar antes de anoitecer
e viver antes de o sol se por,
antes que seque a flor da vida.
recriar tudo que se perdeu,
renovar tudo que envelheceu,
restaurar o cheiro do amor,
antes que seque a flor da vida.
esperar do suor do seu rosto o pão,
vinho à mesa, alegria e comunhão!
mas sabendo que tudo vem do Senhor,
antes que seque a flor da vida...
levar fé: não se viveu em vão,
quando vier tempo de solidão;
que a semente vai sempre dar em flor,
antes que seque a flor da vida!
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
setembro
céu na boca
cai a chuva, levando embora a sequidão,
vem trazendo na bagagem cheiro de chão.
grama verde volta à vida, enche os olhos,
nem é sombra daquela rude cinza,
tristonha, dos canteiros de cada via.
cai a chuva, metáfora de libertação,
trazendo a cor às ruas secas pela aflição.
faz voltar a fertilidade em cada solo
da tosca vida exaurida pela espera
de se molhar na verdade sem quimera.
beba a água que não se acaba
e que acaba com a sede de tantas águas
que nos secam com as suas brasas.
beba a água da limpa fonte
que engravida o chão desse horizonte,
pois Cristo é a chuva que seca essa fome.
cai a chuva,
levando embora a sequidão...
cai a chuva...
cai a chuva, levando embora a sequidão,
vem trazendo na bagagem cheiro de chão.
grama verde volta à vida, enche os olhos,
nem é sombra daquela rude cinza,
tristonha, dos canteiros de cada via.
cai a chuva, metáfora de libertação,
trazendo a cor às ruas secas pela aflição.
faz voltar a fertilidade em cada solo
da tosca vida exaurida pela espera
de se molhar na verdade sem quimera.
beba a água que não se acaba
e que acaba com a sede de tantas águas
que nos secam com as suas brasas.
beba a água da limpa fonte
que engravida o chão desse horizonte,
pois Cristo é a chuva que seca essa fome.
cai a chuva,
levando embora a sequidão...
cai a chuva...
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