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sábado, 6 de novembro de 2010
parque da paz
Ceumar Coelho
amigo, aqui tá tão corrido, mas fazer o quê?
parece que a gente gosta de correr,
correr atrás do prejuízo, correr perigo,
correr do inimigo.
correr da chuva, correr no sol,
correr do tempo que não pára de correr,
na São Silvestre, no Ibirapuera,
no Vila Lobos...
na passeata pela paz, correr demais,
pra ver se, uma hora ou agora,
a paz repara e pára tudo que não cessa,
que não cansa de correr.
sábado, 16 de outubro de 2010
Rãzinha Blues
Ceumar Coelho
Quando o maestro me conduz,
Eu sou a rã,
sou a mais lisa,
em mim ninguém pisa.
Coragem me sobra,
eu sou a ranzinza,
a amiga das cobrassss...
Eu sou a star
lá num brejo, num bar,
um lugar meio inquieto,
onde a lei é o jazz,
proibido a insetos.
Meio esfumaçado e pouca luz.
Me chamam Rãzinha Blues.
Eu sou a rã,
sou a rainha,
todos vão na minha,
ninguém me esquece
e, a quem eu envolvo
de amor, enlouquece.
Mas amoleço
se escuto um acorde
de um blues que eu conheço,
minha voz negra e nua,
meu corpo flutua.
Vestido colado e ombros nus,
me chamam Rãzinha Blues.
Eu sou a rã,
sou indigesta,
minha carne não presta.
Na mesa, cuidado:
sou prato fatal,
me comer é um risco.
Mas sou legal,
quando abre a cortina,
não sei fazer mal,
só o blues me domina,
seduz e alucina.
Quando o maestro me conduz,
me chamam Rãzinha Blues.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Joelmir Beting, a canção
Kleber Albuquerque
O matemático Oswaldo de Souza anunciou
que, antes do fim do mundo, o mundo vai acabar.
Vai acabar numa casa de má fama,
numa cama de madame,
vai acabar dando vexame,
o mundo vai acabar.
No arquivo-morto do departamento,
num asilo em Sorocaba,
num grande engarrafamento,
o mundo vai acabar.
Vai acabar na colisão dos meteoros,
na fusão dos elementos,
a qualquer momento o mundo vai acabar.
É só tocar no ponto G da bomba H.
Joelmir Beting afirma com toda certeza
e o Profeta Gentileza fez questão de confirmar:
tudo leva a crer que é só questão de tempo,
é questão de tempo para o tempo fechar.
É questão de tempo para água furar pedra,
é questão de tempo pra você se acostumar
que, antes do fim do mundo, o mundo vai acabar.
É só tocar no ponto G da bomba H.
O índice Nasdaq, o tarô dos ciganos,
a vertigem dos astros, esse cheiro no ar.
Tudo leva a crer que é só questão de tempo,
é questão de tempo para o tempo fechar.
É questão de tempo para água furar pedra,
é questão de tempo pra você se acostumar
que, antes do fim do mundo, o mundo vai acabar.
É só tocar no ponto G da bomba H.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Visões
Dante Ozzetti e Luiz Tatit
Vendo daqui, é um avião,
vendo daqui, é um passarinho.
Quem vê daqui, vê assombração,
quem vê daqui, vê só um bracinho.
Quem vê daqui, vê bem o mar e o sertão,
quem vê daqui, em vez do mar, vê um pomar;
não vê sertão, mas vê certinho.
Vejo aqui a luz que tomou conta,
que avermelhou de ponta a ponta.
Quem vê daqui, aprenderá
que o mesmo sol renascerá
só pra depois se retirar.
Virá, irá. E aí?
A lua vem. E aí?
A lua vai. E aí?
E volta o sol
É sempre o sol,
o sol e só.
O sol é lei. É lei.
O sol é rei. É rei.
É um farol.
Só dá o sol,
o sol e só,
é só o sol,
é só,
solando só,
sol e só.
Quem vê daqui, não vê o fim,
quem vê daqui, não vê inteiro,
mas é capaz de ver de longe
uma agulha no palheiro.
Quem vê daqui, não sente falta de visão,
não sente falta de vizinho.
Quem vê daqui
não tá sozinho
nem cabe em si.
Vejo um caminhão no seu caminho,
leio uma versão do seu versinho.
É uma luzinha que vai daqui,
é uma ilusão que vem daí
e a luz do sol tocando em mim.
Luz. Pra quê?
Pra reluzir. Pra quê?
Pra refletir. O quê?
Tudo que vi.
Sol. Pra quê?
Para solar. Pra quê?
Pra colorir. O quê?
O que vivi.
Som. Pra quê?
Para somar. Pra quê?
Pra ressoar. O quê?
O que senti.
Som e sol
tocando em nós.
Sol: clarão.
Som: clarim.
Vemos as florestas triunfantes
transformadas em capim
e uma enorme banda
reduzida a um clarim.
Luz, ação!
Som assim.
Quem olhar daqui,
inda vê gente
desejando ser feliz.
E daqui
só vê uma parte do nariz.
Quem olhar daqui,
vê muita coisa acontecer.
Vendo daqui, é um avião,
vendo daqui, é um passarinho.
Quem vê daqui, vê assombração,
quem vê daqui, vê só um bracinho.
Quem vê daqui, vê bem o mar e o sertão,
quem vê daqui, em vez do mar, vê um pomar;
não vê sertão, mas vê certinho.
Vejo aqui a luz que tomou conta,
que avermelhou de ponta a ponta.
Quem vê daqui, aprenderá
que o mesmo sol renascerá
só pra depois se retirar.
Virá, irá. E aí?
A lua vem. E aí?
A lua vai. E aí?
E volta o sol
É sempre o sol,
o sol e só.
O sol é lei. É lei.
O sol é rei. É rei.
É um farol.
Só dá o sol,
o sol e só,
é só o sol,
é só,
solando só,
sol e só.
Quem vê daqui, não vê o fim,
quem vê daqui, não vê inteiro,
mas é capaz de ver de longe
uma agulha no palheiro.
Quem vê daqui, não sente falta de visão,
não sente falta de vizinho.
Quem vê daqui
não tá sozinho
nem cabe em si.
Vejo um caminhão no seu caminho,
leio uma versão do seu versinho.
É uma luzinha que vai daqui,
é uma ilusão que vem daí
e a luz do sol tocando em mim.
Luz. Pra quê?
Pra reluzir. Pra quê?
Pra refletir. O quê?
Tudo que vi.
Sol. Pra quê?
Para solar. Pra quê?
Pra colorir. O quê?
O que vivi.
Som. Pra quê?
Para somar. Pra quê?
Pra ressoar. O quê?
O que senti.
Som e sol
tocando em nós.
Sol: clarão.
Som: clarim.
Vemos as florestas triunfantes
transformadas em capim
e uma enorme banda
reduzida a um clarim.
Luz, ação!
Som assim.
Quem olhar daqui,
inda vê gente
desejando ser feliz.
E daqui
só vê uma parte do nariz.
Quem olhar daqui,
vê muita coisa acontecer.
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