Sóstenes
ô menino, me dê o açaí
pra eu sair por aí
com a cara lambuzada e feliz,
remexendo os quadris.
no suíngue do meu carimbó,
não tem nada melhor
no suíngue do meu carimbó.
você é como o açaí que eu tomo todo dia
estrela linda, santa na berlinda, que me guia,
lua cheia de desejos, chega mais,
me dá um beijo, beijo.
vem cá, vem cá me dá um beijo!
vem, meu amor, é só um beijo!
não tem segredo, não tem medo,
meu brinquedo é só um beijo.
vem cá, me dá um beijo,
beijo com sabor de açaí.
Este blog mudou...
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terça-feira, 17 de março de 2009
carimbó caboclo
Lucinnha Bastos
esse meu carimbó é muito louco,
na batida da mão parece um coco.
quando a menina mexe é um sufoco,
endoidece a cabeça do caboco.
quem é santo conhece esse pau oco,
diz que um dia inteiro é muito pouco.
pra fazer um carimbó bem barroco
tem que ter gente batendo nesse toco.
tem que ter gente batendo no toco,
tem que ter gente batendo no toco.
carimbó, carimbó, carimbó, carimbó
vem meu amor vem dançar!
te quero bem e quero também,
contigo balançar.
esse meu carimbó é muito louco,
na batida da mão parece um coco.
quando a menina mexe é um sufoco,
endoidece a cabeça do caboco.
quem é santo conhece esse pau oco,
diz que um dia inteiro é muito pouco.
pra fazer um carimbó bem barroco
tem que ter gente batendo nesse toco.
tem que ter gente batendo no toco,
tem que ter gente batendo no toco.
carimbó, carimbó, carimbó, carimbó
vem meu amor vem dançar!
te quero bem e quero também,
contigo balançar.
a primeira festa
Lucinnha Bastos
ainda ontem com você de madrugada no cais,
nessa onda de cio da tribo e da paz,
ileaiê, a vida me ensinou a nadar.
ser ribeirinho também ajudou,
aqui no meio da floresta a vida não parou.
vivemos da primeira festa
e, nessa festa de batuque e coração,
tua batida pode ser minha canção,
tocando muito no meu prazer.
eu sou um boto e um sapinho pra você.
e canto mesmo pra te dizer:
eu tô na mira, eu tô na tua reta, ilê,
é proibido te beijar na curva, aiê.
eu sou a curva na tua mira reta, ah!
é proibido fumar!
ainda ontem com você de madrugada no cais,
nessa onda de cio da tribo e da paz,
ileaiê, a vida me ensinou a nadar.
ser ribeirinho também ajudou,
aqui no meio da floresta a vida não parou.
vivemos da primeira festa
e, nessa festa de batuque e coração,
tua batida pode ser minha canção,
tocando muito no meu prazer.
eu sou um boto e um sapinho pra você.
e canto mesmo pra te dizer:
eu tô na mira, eu tô na tua reta, ilê,
é proibido te beijar na curva, aiê.
eu sou a curva na tua mira reta, ah!
é proibido fumar!
quarta-feira, 4 de março de 2009
porto seguro
Lucinnha Bastos
porto seguro, erro primeiro:
índio sorriu pro estrangeiro
no mês de abril e abriu a porta
do litoral que era todo encarnado de Pau Brasil.
Ibirapitanga virou fumaça
e a desgraça veio através do oceano...
com um pano preto no mastro,
deixando um rastro vermelho
no azul atlântico, trouxe o cântico
da saudade africana aos engenhos e canaviais,
fez dançar o açoite de dia,
de noite dançava orixás.
e a região verde do Norte,
sorte, era longe dos olhos feitores,
sem vias de acesso,
ida, regresso e morte.
poucas entradas, tantas bandeiras,
milhas e mil ambições estrangeiras
rompendo a linha de tordesilhas,
brancos e índios cativos buscavam riqueza
pra encher a mão da distante nobreza
que nunca viveu ou pisou neste chão.
grita, nação, bate os tambores,
pinta tua cara com as cores da arara,
faz guerra, esta terra
é terra bendita... grita!
porto seguro, erro primeiro:
índio sorriu pro estrangeiro
no mês de abril e abriu a porta
do litoral que era todo encarnado de Pau Brasil.
Ibirapitanga virou fumaça
e a desgraça veio através do oceano...
com um pano preto no mastro,
deixando um rastro vermelho
no azul atlântico, trouxe o cântico
da saudade africana aos engenhos e canaviais,
fez dançar o açoite de dia,
de noite dançava orixás.
e a região verde do Norte,
sorte, era longe dos olhos feitores,
sem vias de acesso,
ida, regresso e morte.
poucas entradas, tantas bandeiras,
milhas e mil ambições estrangeiras
rompendo a linha de tordesilhas,
brancos e índios cativos buscavam riqueza
pra encher a mão da distante nobreza
que nunca viveu ou pisou neste chão.
grita, nação, bate os tambores,
pinta tua cara com as cores da arara,
faz guerra, esta terra
é terra bendita... grita!
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