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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Castanhinha do Pará
Vital Lima
Castanhinha do Pará,
que no sonho tu me lanças
sobre o teu ombro moreno,
morena linda e criança.
Enche o céu da minha boca
com as estrelas do teu riso.
Teus dentes fortes e brancos
na fruta do paraíso.
Castanhinha do Pará,
te vi no sonho que tive.
Eras tu, mais eu e ela,
e esse sonho ainda vive.
Castanhin, 'gorinha mermo,
no ermo do meu cantar,
és fruto absoluto
que não para de medrar.
Carimba, menina,
carimba, carimbó que nina.
Com as rimas, as primas
da minha viola,
chora, curimbó que anima.
Castanhinha do Pará,
no frescor de seus fonemas,
num português Maranhão,
na madrugada Ipanema.
Como a rosa que é uma rosa,
como araçá de Caetano,
na primavera teimosa
que passa em mim todo ano,
tu que passas sempre por mim
e tu também, ó menina,
naqueles jogos frutais
que João Cabral nos ensina.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
das coisas simples da vida
Vital Lima
luzes desses tons lilazes
matam moscas que querem comer sua comida.
outras luzes, bem mais nobres,
servem para festejar a vida.
claro que isso é simples
como dar-se um respirador artificial
a um homem quase morto.
luzes desses tons lilazes
matam moscas que querem comer sua comida.
outras luzes, bem mais nobres,
servem para festejar a vida.
claro que isso é simples
como dar-se um respirador artificial
a um homem quase morto.
simples mesmo é um feijão com arroz,
um beijo, um pão de queijo,
o não, o sim, ir ou fugir,
o som de aves em bando,
o som de um bando-lim...
macarrão com shoyu ou legumes no vapor,
o cheiro... simples, não?
água mineral, a trova antiga de um trovador
também são.
São Sebastião flechado,
coração atado nas birutas.
muito simples ligar o liquidificador
e fazer misturar todas as frutas.
simples pegar no gatilho,
dar um tiro e interromper outra vida
quando o bem não entrou no coração
e um vazio imenso se instalou
onde deveria estar, das coisas,
a coisas mais simples: o amor.
o não, o sim, ir ou fugir,
o som de aves em bando,
o som de um bando-lim...
macarrão com shoyu ou legumes no vapor,
o cheiro... simples, não?
água mineral, a trova antiga de um trovador
também são.
São Sebastião flechado,
coração atado nas birutas.
muito simples ligar o liquidificador
e fazer misturar todas as frutas.
simples pegar no gatilho,
dar um tiro e interromper outra vida
quando o bem não entrou no coração
e um vazio imenso se instalou
onde deveria estar, das coisas,
a coisas mais simples: o amor.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Pastores da Noite
Vital Lima/Hermínio Bello de Carvalho
reagrupar os pastores
em torno da mesa, da hóstia,
do vinho e do pão.
quem, dessas faces de bronze,
por trinta dinheiros,
foi o vendilhão?
reinventar cada espaço
e fazer da palavra
o estilete dilacerador
e dizimar o rebanho
que negras ovelhas
traíram o Senhor.
mirra, incenso, ouro e prata
as negras ovelhas
roubaram do nobre senhor
e emudeceram as vozes mais roucas
e veio um silêncio
enlouquecedor.
mas quem usou do chicote
lanhou-se também
nas farpas que se utilizou.
Agnus Dei, qui tolis
pecata mundi,
misericórdia!
reagrupar os pastores
em torno da mesa, da hóstia,
do vinho e do pão.
quem, dessas faces de bronze,
por trinta dinheiros,
foi o vendilhão?
reinventar cada espaço
e fazer da palavra
o estilete dilacerador
e dizimar o rebanho
que negras ovelhas
traíram o Senhor.
mirra, incenso, ouro e prata
as negras ovelhas
roubaram do nobre senhor
e emudeceram as vozes mais roucas
e veio um silêncio
enlouquecedor.
mas quem usou do chicote
lanhou-se também
nas farpas que se utilizou.
Agnus Dei, qui tolis
pecata mundi,
misericórdia!
domingo, 15 de março de 2009
chão do caminho
Vital Lima
o vento que sacode o mato não está sozinho:
bate suas asas no canto dos passarinhos,
voa nos galhos mais altos e no chão do caminho,
ouvindo a estrela que dança no azul-marinho.
voa nos galhos mais altos e no chão do caminho,
ouvindo a estrela que dança no azul-marinho.
eu, quando pareço sozinho, apenas pareço,
pois imagens, figuras, pessoas que eu não esqueço
crescem no meu pensamento, aqui dentro de mim.
queria tanto saber teu endereço,
que é tanta a saudade que eu sinto de ti.
queria tanto saber teu endereço,
que é tanta a saudade que eu sinto de ti.
o vento que sacode o mato não está sozinho:
bate suas asas no canto dos passarinhos,
voa nos galhos mais altos e no chão do caminho,
ouvindo a estrela que dança no azul-marinho.
voa nos galhos mais altos e no chão do caminho,
ouvindo a estrela que dança no azul-marinho.
eu, quando pareço sozinho, apenas pareço,
pois imagens, figuras, pessoas que eu não esqueço
crescem no meu pensamento, aqui dentro de mim.
queria tanto saber teu endereço,
que é tanta a saudade que eu sinto de ti.
queria tanto saber teu endereço,
que é tanta a saudade que eu sinto de ti.
segunda-feira, 9 de março de 2009
tempodestino
Nilson Chaves e Vital Lima
há entre o tempo e o destino
um caso antigo, um elo, um par.
que pode acontecer, menino,
se o tempo não passar?
feito essas águas que, subindo,
forçaram a gente a se mudar.
que pode acontecer, meu lindo,
se o tempo não passar?
o tempo é que me deu amigos
e este amor que não me sai,
que doura os campos de trigo
e os cabelos de meu pai.
faz rebentar paixões,
depois se nega às criações
e, assim, mantém a vida.
que acontecerá aos corações,
se o tempo não passar?
não mato meu amor, no fundo,
porque tenho amizade nele,
que já faz parte do meu mundo,
do tempo entre eu e ele.
há entre o tempo e o destino
um caso antigo, um elo, um par.
que pode acontecer, menino,
se o tempo não passar?
feito essas águas que, subindo,
forçaram a gente a se mudar.
que pode acontecer, meu lindo,
se o tempo não passar?
o tempo é que me deu amigos
e este amor que não me sai,
que doura os campos de trigo
e os cabelos de meu pai.
faz rebentar paixões,
depois se nega às criações
e, assim, mantém a vida.
que acontecerá aos corações,
se o tempo não passar?
não mato meu amor, no fundo,
porque tenho amizade nele,
que já faz parte do meu mundo,
do tempo entre eu e ele.
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