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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

das coisas simples da vida

Vital Lima

luzes desses tons lilazes
matam moscas que querem comer sua comida.
outras luzes, bem mais nobres,
servem para festejar a vida.

claro que isso é simples
como dar-se um respirador artificial
a um homem quase morto.

simples mesmo é um feijão com arroz,
um beijo, um pão de queijo,
o não, o sim, ir ou fugir,
o som de aves em bando,
o som de um bando-lim...

macarrão com shoyu ou legumes no vapor,
o cheiro... simples, não?
água mineral, a trova antiga de um trovador
também são.

São Sebastião flechado,
coração atado nas birutas.
muito simples ligar o liquidificador
e fazer misturar todas as frutas.

simples pegar no gatilho,
dar um tiro e interromper outra vida
quando o bem não entrou no coração
e um vazio imenso se instalou
onde deveria estar, das coisas,
a coisas mais simples: o amor.

domingo, 15 de março de 2009

chão do caminho

Vital Lima

o vento que sacode o mato não está sozinho:
bate suas asas no canto dos passarinhos,
voa nos galhos mais altos e no chão do caminho,
ouvindo a estrela que dança no azul-marinho.

voa nos galhos mais altos e no chão do caminho,
ouvindo a estrela que dança no azul-marinho.

eu, quando pareço sozinho, apenas pareço,
pois imagens, figuras, pessoas que eu não esqueço
crescem no meu pensamento, aqui dentro de mim.
queria tanto saber teu endereço,
que é tanta a saudade que eu sinto de ti.

queria tanto saber teu endereço,
que é tanta a saudade que eu sinto de ti.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

subindo o céu

Simone Almeida

cantando boi
pra São João,
vaguei na noite
feito um balão.

subindo o céu
com meu cordão,
esse arrastão
vai madrugar.

vai virar cor do sol,
vai virar cor do ar
vai virar flor do campo,
vai virar flor do mar.

já é domingo
na praça azul
e eu canto toada,
pois sou filho da terra,
pois, eu sou paroara,
sou o tripa do boi,
sou o pai da Malhada,
sou o Setenta que foi,
sou Baldez a cantar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

que nem cupu

simone almeida

ao som desse carimbó,
na boca do meu amor,
minha boca carimbou
o bico d’um beija-flor.

menina, me dá um beijo
gostoso que nem beijú.
tua boca tem cor de jambo
e treme feito jambú.

menina, quando eu te beijo,
despenco que nem cupu
açu, quebro na tua boca,
exalo dentro de tu.

cuíra por esse beijo,
ponho a mão em cumbuca
reviro em nossa maloca
e a vontade me cutuca.

fogosa, a tua boca
encosta na minha nuca
que nem fogo de taboca
igual fome de mutuca.