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sábado, 28 de fevereiro de 2009

um violeiro toca

Almir Sater

quando uma estrela cai
na escuridão da noite
e um violeiro toca suas mágoas,
então os olhos dos bichos
vão ficando iluminados,
rebrilham neles estrelas
de um sertão enluarado.

quando o amor termina,
perdido numa esquina,
e um violeiro toca sua sina,
então os olhos dos bichos
vão ficando entristecidos,
rebrilham neles lembranças
dos amores esquecidos.

quando um amor começa,
nossa alegria chama
e um violeiro toca em nossa cama,
então os olhos dos bichos
são os olhos de quem ama,
pois a natureza é isso
sem medo, nem dó, nem drama.

tudo é sertão, tudo é paixão,
se um violeiro toca.
a viola, o violeiro e o amor
se tocam.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

brasil poeira

almir sater

ê, brasil poeira!
estradas de chão, violas, bandeiras,
terra de Tom, Tonico e Tião,
e nossa senhora, a padroeira.

ê, paixão, primeira,
e os sertões, nação das estrelas,
se o dia é luz e a noite seduz,
o coração abre as porteiras.

quando o galo cantar
nos quintais do Brasil
e o sol clarear nosso chão,
vem a semente do pão,
água do ribeirão
e horizontes que ao longe se vão
ao som dos bem-te-vis.

"quem canta espanta
seus malez", se diz.
quem planta é quem colhe,
é quem finca a raiz.