sábado, 25 de abril de 2009

hotel à beira-mar

Raimundo Fagner e Zeca Baleiro

vejo a luz do Mucuripe,
belo inútil videoclipe,
blues amargo de razão.
nenhum barco me acena
e minhalma quase plena
ri do caos, da confusão
do trânsito engarrafado,
do grito desesperado
calado, da multidão.
cai a tarde como um pano,
sonora como um piano,
sobre a minha solidão.

o céu me fez astronauta
pra que eu ache o que me falta
nesta galáxia fria.
nem a dor nem o desejo,
ao lábio só cabe o beijo,
que é da noite sem o dia.
quisera cantar tal fado
ébrio, febril, assombrado,
a raiva da calmaria,
mas as palavras se foram
como rojões que estouram.
depois do brilho, a agonia.

o amor é um embaraço,
música de um só compasso,
compositor, coração.
no meu rosto toca o vento,
nada mais, só o momento
infinito, breve, vão.
para quê querer futuro,
se só escombros de um muro
sobraram da construção?
a estátua de Iracema
tem o sol como cinema
e eu não tenho ilusão.

o mar vai, o mar vem...
de quem será o mar?
o mar vai, o mar vem...
ninguém pode ter o mar.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

sarau da comuna


Arte, cultura e espiritualidade. Um encontro de artistas cristãos mais preocupados com o Reino de Deus do que com o mercado “gospel”. Um espaço para apreciar, discutir e engajar-se na Beleza da Verdade e na Verdade da Beleza. Uma oportunidade de crescimento para músicos, cantores e ministros de louvor e adoração que desejam enfrentar a mediocridade e a mesmice.

Quando:

1º e 2º de maio, na Igreja Batista Itacuruçá.
1º de maio - início da programação às 17h, até a noite
2 de maio - início da programação às 10h, até a noite

Igreja Batista Itacuruçá
Praça Barão de Corumba, nº 49

Artistas convidados:

Jorge Rehder
Gerson Borges
Jorge Camargo
Roberto Diamanso
Stênio Marcius
Silvestre Kuhlmann
Glauber Plaça
Eduardo Mano e Banda
Palavrantiga
Elly Aguiar

Programação:

Atualizaremos a programação na próxima semana. Não deixe de acessar a página. Para outras informações, entre em contato com o Daniel Bravo através do e-mail bravoduarte@gmail.com

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retirado de http://eduardomano.net/

sexta-feira, 3 de abril de 2009

brincando de ser eterno

Nilson Chaves

tentei segurar a água na mão,
a água escorreu.
ficou um pouco que o sol secou,
e aí mais nada.

de repente era o futuro que jamais pensei,
porque, de ingênuo, quis acreditar
que algo no mundo podia brincar
de ser eterno.

e eu sorri pro desembarcadouro
e desembarquei, não sem sofrimento,
porque algo em nós quer permanecer.
mas falam de um tempo onde era o nada
e, se havia um nada, havia um ser.