Fernando Brant
mais que a dor do amor,
viver a dor me doeu.
eu quero mesmo é ser feliz
amar, amor.
quem não semear,
não vai colher.
ai de quem é um
e nunca será dois,
por não saber.
quem irá me valer?
são pessoas, é a caminhada.
quem irá me valer?
são meus sonhos no pó da estrada.
quem irá me valer?
é o sorriso que guardo comigo.
quem irá me valer?
é o segredo de fazer amigos.
Este blog mudou...
AVISO: Este blog foi incorporado ao blog Farinha de Tapioca e será descontinuado. As publicações, entretanto, permanecem aqui como arquivo.
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
um violeiro toca
Almir Sater
quando uma estrela cai
na escuridão da noite
e um violeiro toca suas mágoas,
então os olhos dos bichos
vão ficando iluminados,
rebrilham neles estrelas
de um sertão enluarado.
quando o amor termina,
perdido numa esquina,
e um violeiro toca sua sina,
então os olhos dos bichos
vão ficando entristecidos,
rebrilham neles lembranças
dos amores esquecidos.
quando um amor começa,
nossa alegria chama
e um violeiro toca em nossa cama,
então os olhos dos bichos
são os olhos de quem ama,
pois a natureza é isso
sem medo, nem dó, nem drama.
tudo é sertão, tudo é paixão,
se um violeiro toca.
a viola, o violeiro e o amor
se tocam.
quando uma estrela cai
na escuridão da noite
e um violeiro toca suas mágoas,
então os olhos dos bichos
vão ficando iluminados,
rebrilham neles estrelas
de um sertão enluarado.
quando o amor termina,
perdido numa esquina,
e um violeiro toca sua sina,
então os olhos dos bichos
vão ficando entristecidos,
rebrilham neles lembranças
dos amores esquecidos.
quando um amor começa,
nossa alegria chama
e um violeiro toca em nossa cama,
então os olhos dos bichos
são os olhos de quem ama,
pois a natureza é isso
sem medo, nem dó, nem drama.
tudo é sertão, tudo é paixão,
se um violeiro toca.
a viola, o violeiro e o amor
se tocam.
subindo o céu
Simone Almeida
cantando boi
pra São João,
vaguei na noite
feito um balão.
subindo o céu
com meu cordão,
esse arrastão
vai madrugar.
vai virar cor do sol,
vai virar cor do ar
vai virar flor do campo,
vai virar flor do mar.
já é domingo
na praça azul
e eu canto toada,
pois sou filho da terra,
pois, eu sou paroara,
sou o tripa do boi,
sou o pai da Malhada,
sou o Setenta que foi,
sou Baldez a cantar.
cantando boi
pra São João,
vaguei na noite
feito um balão.
subindo o céu
com meu cordão,
esse arrastão
vai madrugar.
vai virar cor do sol,
vai virar cor do ar
vai virar flor do campo,
vai virar flor do mar.
já é domingo
na praça azul
e eu canto toada,
pois sou filho da terra,
pois, eu sou paroara,
sou o tripa do boi,
sou o pai da Malhada,
sou o Setenta que foi,
sou Baldez a cantar.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
azulejo
Zeca Baleiro
era uma bela, era uma tarde, o casario,
era um cenário de um poema de Gullar.
tão de repente, ela sumiu numa viela;
eu no sobrado, vi uma sombra em seu lugar.
cada azulejo da cidade ainda recorda
e cada corda onde tanjo a minha dor...
no alaúde da saudade,
num velho banjo, num bandolim,
chorando o fim do nosso amor.
a primavera bem virá depois do inverno,
a flora em festa nos trará outro verão.
eu fecho a casa, dou adeus ao gelo eterno;
vou viver de brisa, arder em brasa
no calor do Maranhão.
era uma bela, era uma tarde, o casario,
era um cenário de um poema de Gullar.
tão de repente, ela sumiu numa viela;
eu no sobrado, vi uma sombra em seu lugar.
cada azulejo da cidade ainda recorda
e cada corda onde tanjo a minha dor...
no alaúde da saudade,
num velho banjo, num bandolim,
chorando o fim do nosso amor.
a primavera bem virá depois do inverno,
a flora em festa nos trará outro verão.
eu fecho a casa, dou adeus ao gelo eterno;
vou viver de brisa, arder em brasa
no calor do Maranhão.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
estampas eucalol
Geraldo Azevedo
montado no meu cavalo,
libertava Prometeu,
toureava o minotauro
e era amigo de Teseu.
viajava o mundo inteiro
nas estampas Eucalol.
à sombra de um abacateiro,
Ícaro fugia do sol.
subia o Monte Olimpo,
ribanceira lá do quintal
e mergulhava até Netuno
no oceano abissal.
São Jorge ia pra lua
lutar contra o dragão;
São Jorge quase morria,
mas eu lhe dava a mão
e voltava trazendo a moça
com quem ia me casar:
era a minha professora,
que roubei do rei Lear.
montado no meu cavalo,
libertava Prometeu,
toureava o minotauro
e era amigo de Teseu.
viajava o mundo inteiro
nas estampas Eucalol.
à sombra de um abacateiro,
Ícaro fugia do sol.
subia o Monte Olimpo,
ribanceira lá do quintal
e mergulhava até Netuno
no oceano abissal.
São Jorge ia pra lua
lutar contra o dragão;
São Jorge quase morria,
mas eu lhe dava a mão
e voltava trazendo a moça
com quem ia me casar:
era a minha professora,
que roubei do rei Lear.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
beradêro
chico césar
Os olhos tristes da fita
rodando no gravador,
uma moça cosendo roupa
com a linha do equador
e a voz da santa dizendo:
"O que é que eu tou fazendo
cá em cima desse andor?".
A tinta pinta o asfalto,
enfeita a alma, motorista
é cor na cor da cidade,
batom do lábio nortista.
O olhar vê tons tão sudestes
e o beijo que vós me nordestes,
arranha-céu da boca paulista.
Cadeiras elétricas da baiana,
sentença que o turista cheire;
e os sem-amor, os sem-teto,
os sem-paixão, sem-alqueire.
No peito dos sem-peito, uma seta
e a cigana analfabeta
lendo a mão de Paulo Freire.
A contenteza do triste,
tristezura do contente,
vozes de faca cortante,
como o grito da serpente
são sons de sim – não, contudo,
pé quebrado, verso mudo,
grito no hospital da gente.
São sons, são sons de sim.
São sons, são sons de sim.
Não, no, nein, não, no nein.
Não, no, nein, não, no nein.
São sons, são sons de sim.
São sons, são sons de sim
– não, contudo,
pé quebrado, verso mudo,
grito no hospital da gente.
"Body body body body,
tem uma bala no meu coco.
Body body body body,
e não é bala de coco."
"Catolé do Rocha,
praça de guerra.
Catolé do Rocha,
onde o homem bode berra."
Os olhos tristes da fita
rodando no gravador,
uma moça cosendo roupa
com a linha do equador
e a voz da santa dizendo:
"O que é que eu tou fazendo
cá em cima desse andor?".
A tinta pinta o asfalto,
enfeita a alma, motorista
é cor na cor da cidade,
batom do lábio nortista.
O olhar vê tons tão sudestes
e o beijo que vós me nordestes,
arranha-céu da boca paulista.
Cadeiras elétricas da baiana,
sentença que o turista cheire;
e os sem-amor, os sem-teto,
os sem-paixão, sem-alqueire.
No peito dos sem-peito, uma seta
e a cigana analfabeta
lendo a mão de Paulo Freire.
A contenteza do triste,
tristezura do contente,
vozes de faca cortante,
como o grito da serpente
são sons de sim – não, contudo,
pé quebrado, verso mudo,
grito no hospital da gente.
São sons, são sons de sim.
São sons, são sons de sim.
Não, no, nein, não, no nein.
Não, no, nein, não, no nein.
São sons, são sons de sim.
São sons, são sons de sim
– não, contudo,
pé quebrado, verso mudo,
grito no hospital da gente.
"Body body body body,
tem uma bala no meu coco.
Body body body body,
e não é bala de coco."
"Catolé do Rocha,
praça de guerra.
Catolé do Rocha,
onde o homem bode berra."
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